Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro. Tornou-se uma das figuras mais polêmicas do mercado financeiro nacional ao assumir o controle do Banco Máxima, rebatizá-lo como Banco Master e conduzi-lo por uma escalada vertiginosa de crescimento que multiplicou exponencialmente o seu patrimônio em poucos anos. Autodefiniu-se como um "estrangeiro" na Avenida Faria Lima, o coração financeiro de São Paulo, numa referência às suas origens mineiras e à sua condição de outsider entre os banqueiros tradicionais. A estratégia agressiva de captar recursos através de CDBs com remunerações muito acima da média do mercado atraiu bilhões de reais, mas também acendeu alertas que foram ignorados durante tempo demais. A sua trajetória empresarial, marcada por uma sucessão de empreendimentos, fracassos, recomeços e conexões poderosas, desembocou no maior rombo bancário da história do Fundo Garantidor de Créditos do Brasil, estimado em quarenta e um bilhões de reais. Foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar no seu jato particular, no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.Nasceu na cidade de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Seu nome completo é Daniel Bueno Vorcaro. Seu pai, Henrique Vorcaro, iniciou a carreira como corretor de imóveis e posteriormente fundou o grupo Multipar, que investiu em setores tão variados quanto incorporação imobiliária, mineração, educação, hotelaria e até gestão de cemitérios. Sua mãe casou-se com Henrique ainda muito jovem, aos dezesseis anos. O avô paterno, Serafim Vorcaro, foi um imigrante italiano que se converteu ao protestantismo e se tornou pastor. A família possui vínculos com a Igreja Batista da Lagoinha. Tem uma irmã mais nova, Natália, que é pastora numa das filiais da igreja e é casada com o advogado e pastor Fabiano Zettel, dono do fundo de investimento Moriah.
Apesar de o pai possuir um grupo empresarial relevante, Vorcaro sempre afirmou em entrevistas que a família era de classe média e que os avós maternos eram funcionários públicos, enquanto o avô paterno trabalhava como protético.
Estudou na Fundação Torino, um colégio de elite de Belo Horizonte. Formou-se em Administração e cursou um MBA no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, concluído em 2007. Algumas fontes indicam que a graduação foi em Economia pelo Ibmec de Belo Horizonte. Na infância foi diagnosticado com dislexia, circunstância que não o impediu de prosseguir os estudos.
O seu primeiro empreendimento aconteceu por volta dos dezenove anos, quando passou a administrar um sistema de ensino destinado a escolas do ensino fundamental em Minas Gerais, a PQS Empreendimentos Educacionais, localizada em Nova Lima, além de uma editora de livros didáticos, ambos adquiridos pelo pai. Quando o fundador original faleceu, comprou o negócio dos herdeiros e percorreu o interior do estado para manter os clientes, que incluíam padres, freiras e diretores de escolas. Reestruturou a operação e depois a vendeu para um grupo estratégico do sul do país. O negócio foi posteriormente encerrado em meio a relatos de conflitos na gestão.
Apresentou um programa de música gospel chamado Supersônica na Rede Super, uma emissora de televisão adquirida pelo seu pai e vinculada à Igreja Batista da Lagoinha.
Deu os seus primeiros passos no mercado financeiro ao adquirir uma participação minoritária no Banco Máxima, uma instituição de pequeno porte que pertencia a Saul Sabbá. Os dois já tinham uma relação de trabalho anterior, ligada a fundos imobiliários. O setor imobiliário havia sido, até então, o seu campo principal de atuação.
Acertou o acordo para assumir o controle total do Banco Máxima, comprometendo-se a injetar mais de setenta e cinco milhões de reais na instituição. A transferência de controle, contudo, só foi oficialmente aprovada pelo Banco Central em outubro de 2019. A partir daquele momento, passou a dividir o comando com outros sócios, entre eles Augusto Ferreira Lima, que posteriormente teria um papel relevante nas investigações.
No momento da aquisição, o banco possuía um patrimônio líquido de trinta milhões de reais e uma receita de cento e oitenta milhões. A instituição precisava não apenas de capitalização, mas de um novo plano de negócios e uma nova estrutura de governança.
Rebatizou a instituição como Banco Master e adotou uma estratégia de crescimento acelerado. O banco passou a atuar como múltiplo, com foco nas regiões Norte e Nordeste, especialmente em crédito consignado. A principal tática de captação consistiu na emissão massiva de Certificados de Depósito Bancário com rentabilidade que chegava a cento e quarenta por cento do CDI, muito acima dos patamares praticados pela concorrência.
Também nesse ano adquiriu o banco de investimentos Vipal, como parte do plano de transformar o Master numa vertical de negócios integrada que incluiria gestora de recursos e corretora. Declarava que o banco já contava com cerca de quinhentos mil clientes e que almejava chegar a três milhões num prazo de cinco anos.
Casou-se jovem, aos vinte e três anos, com Fabíola, com quem teve dois filhos adolescentes: Stella e Tiziano. Nesse ano, o seu patrimônio pessoal declarado já alcançava cifras expressivas. Somente em imóveis, desembolsou cinquenta e um milhões de reais em apartamentos, casas e terrenos em Belo Horizonte e Nova Lima. Curiosamente, apesar de comandar uma instituição que remunerava os seus CDBs a taxas extraordinariamente altas, mantinha quarenta e quatro milhões de reais aplicados em CDBs do BTG Pactual, que oferecia taxas convencionais de mercado.
Expandiu os investimentos para setores diversos: saúde, varejo, energia, tecnologia e futebol. Adquiriu participação na farmacêutica mineira Biomm, no grupo de moda Veste S.A. Estilo, e em empresas como Gafisa, Light, Westwing e Oncoclínicas, muitas delas em situação de crise e necessitando de reestruturação.
Investiu na Sociedade Anônima do Futebol do Clube Atlético Mineiro, através do fundo Galo Forte FIP, consolidando a sua presença num setor que atraía cada vez mais capital financeiro no Brasil.
O Banco Master registrou um lucro líquido recorde de duzentos e sessenta e oito milhões de reais. No ano seguinte, esse número mais que dobraria, ultrapassando quinhentos e trinta milhões.
A festa de quinze anos da sua filha Stella chamou a atenção da imprensa mineira pela extravagância. As estimativas de custo chegaram a quinze milhões de reais. Entre as atrações musicais estiveram o DJ Alok e a dupla norte-americana The Chainsmokers.
Declarou possuir quarenta e sete milhões de reais em relógios e obras de arte. O seu patrimônio pessoal já havia saltado dos duzentos e dezoito milhões de reais declarados em 2018 para um bilhão e quatrocentos milhões em 2023.
A expansão atingiu números impressionantes: entre 2019 e 2024, o patrimônio líquido do banco cresceu de duzentos milhões para quatro bilhões e setecentos milhões de reais, e a carteira de crédito passou de um bilhão e quatrocentos milhões para quarenta bilhões.
Investigações do Ministério Público Federal indicaram que o banco teria utilizado uma empresa denominada Tirreno, supostamente constituída como empresa de fachada, para criar créditos fictícios. Esses ativos, sem lastro independente, teriam sido vendidos ao Banco de Brasília. As apurações apontaram que o BRB injetou aproximadamente dezesseis bilhões e setecentos milhões de reais no Banco Master entre 2024 e 2025, dos quais ao menos doze bilhões e duzentos milhões envolviam operações sem garantias reais.
Em dezembro, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, convocou Vorcaro a uma reunião de emergência, exigindo um aporte de capital para solucionar problemas de liquidez.
É proprietário de um jato executivo modelo Falcon 7X, fabricado pela Dassault Aviation, para doze passageiros, registrado em nome da Viking Participações, da qual é sócio. A empresa detém ainda outros dois jatos: um Gulfstream G550 para dezesseis passageiros e um Falcon 2000 para dezenove.
Sob pressão crescente do Banco Central e diante das investigações, explorou a possibilidade de vender o Banco Master. Uma negociação com um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira chegou a ser anunciada, porém fracassou.
No dia 17 de novembro, foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando se preparava para embarcar no seu jato particular com destino declarado a Dubai, onde alegou ter uma reunião com investidores. A sua defesa assegurou que a viagem havia sido comunicada ao Banco Central; as autoridades judiciais, contudo, interpretaram o deslocamento como uma tentativa de fuga.
Horas antes da prisão, o Banco Central havia decretado a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando o acordo de venda que fora anunciado na véspera. A estimativa do rombo ao Fundo Garantidor de Créditos alcançou quarenta e um bilhões de reais, cifra reportada como a maior já projetada na história do fundo.
No dia 28 de novembro, o Tribunal Regional Federal ordenou a sua soltura mediante medidas cautelares. Em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, impôs sigilo máximo ao pedido de defesa apresentado por Vorcaro.
Autor: Editorial.