Fernando Haddad é um político, advogado, professor universitário e intelectual brasileiro, de ascendência libanesa. Ocupa atualmente um dos cargos mais relevantes do país: o Ministério da Fazenda, no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de chegar ao centro da política econômica nacional, percorreu uma trajetória marcada pela academia, pela gestão pública e por disputas eleitorais que o colocaram no centro do debate político brasileiro. Foi Ministro da Educação durante sete anos, período no qual implementou programas que transformaram o acesso ao ensino superior no Brasil, como o ProUni, o Fies sem fiador e o Ciências sem Fronteiras. Elegeu-se prefeito de São Paulo, cargo no qual investiu fortemente em mobilidade urbana e rendeu prêmios internacionais à cidade, embora a sua gestão tenha enfrentado forte rejeição popular. Substituiu Lula como candidato presidencial do PT em 2018, quando este teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, e perdeu o segundo turno para Jair Bolsonaro. Formou-se em Direito, fez mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, tudo pela Universidade de São Paulo, onde também lecionou Ciência Política. Participou da criação da célebre Tabela Fipe, referência nacional de preços de automóveis. Guitarrista amador, é visto ocasionalmente com a sua Gibson SG em eventos públicos. Como ministro da Fazenda, liderou a aprovação da maior Reforma Tributária da história do Brasil, uma empreitada que especialistas e governos anteriores tentaram sem sucesso durante três décadas.Nasceu na cidade de São Paulo, no mesmo dia em que a capital paulista celebra o seu aniversário de fundação. Seu nome completo é Fernando Haddad. É o segundo de três filhos. O pai, Khalil Haddad, foi um imigrante libanês católico melquita que chegou ao Brasil em 1947, aos vinte e cinco anos, e se estabeleceu como atacadista de tecidos na Rua 25 de Março, um dos pontos comerciais mais tradicionais do país. A mãe, Norma Teresa Goussain, nasceu em São Paulo no seio de uma família também libanesa. Faleceu em 2023. Passou a infância e a adolescência no bairro Planalto Paulista, na zona sul da capital.
Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, tradicional berço de políticos brasileiros. Aos dezoito anos, dividia o tempo entre a faculdade e a ajuda que prestava ao pai na loja de tecidos. Envolveu-se rapidamente com a militância estudantil, num momento em que a ditadura militar acirrava o debate político nas universidades. Mergulhou na leitura de Karl Marx, aproximou-se do pensamento da Escola de Frankfurt e desenvolveu relação com a Central Única dos Trabalhadores.
Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores quando a legenda fundada por Lula tinha apenas três anos de existência. No ano seguinte, foi eleito presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, pela chapa ironicamente batizada de The Pravda, nome que fundia as logomarcas dos jornais The New York Times e Pravda. A eleição aconteceu em plena mobilização das Diretas Já, o movimento que reivindicava o retorno das eleições diretas para presidente.
O seu envolvimento com o movimento estudantil chegou a fazer com que fosse espionado durante a ditadura pelo Serviço Nacional de Informações e pelo Exército.
Concluiu a graduação em Direito. A motivação para cursar a faculdade, segundo ele próprio revelou, nasceu de um episódio familiar: os pais perderam a casa após assinarem um contrato sem orientação jurídica, com cláusulas abusivas.
No ano seguinte, foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil e iniciou a carreira profissional. Associou-se ao cunhado, o engenheiro Paulo Nazar, no ramo de incorporação e construção civil. Também trabalhou como analista de investimentos do Unibanco.
Concluiu o mestrado em Economia pela USP, com a dissertação “O Caráter Socioeconômico do Sistema Soviético”. Em 1989 passou um ano como aluno visitante da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, onde elaborou a tese.
Obteve o doutorado em Filosofia pela USP, com a tese “De Marx a Habermas: O Materialismo Histórico e Seu Paradigma Adequado”. Apesar da formação marxista, sempre manteve um perfil considerado heterodoxo e não dogmático dentro da esquerda.
Aos trinta e quatro anos, foi aprovado em concurso e tornou-se professor doutor de Teoria Política Contemporânea no Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Trabalhou como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, onde coordenou o projeto de criação da Tabela Fipe, o índice de referência nacional para verificação de preços de automóveis, lançado em maio de 2000. Uma contribuição que, curiosamente, afetou o cotidiano de milhões de brasileiros muito além dos círculos acadêmicos ou políticos.
Deu os primeiros passos efetivos na política institucional. Foi convidado para a chefia de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, do PT. Permaneceu no cargo até 2003, contribuindo para que a capital paulista alcançasse equilíbrio fiscal.
O primeiro governo Lula convocou-o para Brasília. Foi nomeado assessor especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sob o comando de Guido Mantega. Nessa função, foi o responsável por redigir o projeto de lei que instituiu as Parcerias Público-Privadas em âmbito federal.
Assumiu o cargo de secretário-executivo do Ministério da Educação, onde começou a elaborar o ProUni, o Programa Universidade para Todos, que oferece bolsas de estudo em universidades privadas para estudantes de baixa renda.
Foi nomeado Ministro da Educação, em substituição a Tarso Genro, que deixou a pasta para assumir a presidência do PT. Iniciou o que muitos consideraram uma era transformadora para a educação brasileira. Ao longo de sete anos à frente do MEC, implementou ou consolidou uma série de programas e instrumentos que ampliaram significativamente o acesso ao ensino: o FUNDEB, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a Lei do Piso para professores, o SISU, o Fies sem fiador, o Ciências sem Fronteiras, e a expansão das universidades federais e institutos de ensino pelo interior do país.
Reformulou o Exame Nacional do Ensino Médio para que pudesse ser utilizado como porta de entrada nas universidades públicas, o que democratizou o acesso ao ensino superior.
Em 2009, enfrentou uma crise quando o ENEM daquele ano vazou, forçando o governo a cancelar a prova e reprogramá-la.
Casou-se com a cirurgiã-dentista e professora universitária Ana Estela Haddad. O casal teve dois filhos: Frederico, nascido em 1992, e Ana Carolina, nascida em 2000. É autor de seis livros, o mais recente publicado em 2022, e foi agraciado com seis títulos de Doutor Honoris Causa, incluindo um outorgado pela Universidade Internacional de Córdoba, a mais antiga da Argentina.
Elegeu-se prefeito de São Paulo pelo PT. A gestão, que se estendeu de 2013 a 2016, focou em soluções para a mobilidade urbana: criou faixas exclusivas de ônibus, implantou linhas com trajetos noturnos e construiu quatrocentos quilômetros de ciclovias, medidas que renderam à cidade prêmios internacionais como o MobiPrize, o Prêmio Rainha Letícia de Acessibilidade Universal e o Sustainable Transportation Award. São Paulo caiu drasticamente no ranking mundial de congestionamentos durante o seu mandato.
Apesar dos reconhecimentos externos, enfrentou forte rejeição interna. As ciclovias e os corredores de ônibus geraram polêmica entre parte da população e da mídia.
Tentou a reeleição para a prefeitura, mas foi derrotado por João Doria, do PSDB, ainda no primeiro turno. A derrota foi lida como um reflexo do desgaste do PT em meio à crise política e econômica que culminou no impeachment de Dilma Rousseff.
Lula, preso no âmbito da Operação Lava Jato, insistiu em registrar a sua candidatura à presidência. Haddad foi inicialmente designado como vice na chapa. Quando o Tribunal Superior Eleitoral barrou a candidatura do ex-presidente sob a Lei da Ficha Limpa, Haddad assumiu a cabeça da chapa em seu lugar. Obteve trinta por cento dos votos no primeiro turno e chegou ao segundo turno contra Jair Bolsonaro, que venceu com cinquenta e cinco por cento dos votos. Além do apoio político, fez parte da equipe de advogados que defendeu Lula nos processos judiciais.
Candidatou-se ao governo do estado de São Paulo pelo PT. Chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Em seguida, foi indicado por Lula para o cargo de Ministro da Fazenda no novo governo, uma escolha que representou a confiança depositada nele para comandar a política econômica do país.
Tomou posse como o centésimo quinquagésimo quinto Ministro da Fazenda do Brasil. Desde o primeiro ano, empreendeu uma intensa agenda legislativa. Liderou a aprovação do novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos, e conduziu a aprovação da Emenda Constitucional da Reforma Tributária sobre o consumo, promulgada em dezembro de 2023, numa sessão solene que reuniu os chefes dos três poderes. A agência de classificação de risco S&P elevou a nota de crédito do Brasil após a aprovação da reforma.
Implementou programas como o Desenrola, voltado a renegociar dívidas de consumidores endividados, e o novo Marco de Garantias, que facilitou o acesso ao crédito.
Concentrou esforços na regulamentação da Reforma Tributária, cuja lei complementar foi sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2025. O novo sistema prevê a substituição de cinco tributos sobre o consumo por um Imposto sobre Valor Adicionado dual, com mecanismos inéditos como o cashback para famílias de baixa renda e o split payment para digitalizar a arrecadação.
Preparou a segunda fase da reforma, incidente sobre o Imposto de Renda, que incluirá a isenção para contribuintes com renda de até cinco mil reais mensais, conforme determinação de Lula. A proposta visa atingir menos de um por cento da população com aumento de tributação, concentrando-se nas faixas de renda mais elevadas.
Destacou que o Brasil encerrou o terceiro ano de governo com uma taxa média de crescimento de três por cento ao ano, praticamente o dobro da década anterior, com redução do desemprego, valorização real dos salários e mais de quinze milhões de brasileiros retirados da situação de fome.
Autor: Editorial.