Biografia de Flávio Bolsonaro

44 anos. Flávio Bolsonaro é um político e advogado brasileiro. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi o primeiro da família a ingressar na carreira política, aos 21 anos, quando se elegeu deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Exerceu quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa fluminense, onde concentrou sua atuação em pautas de segurança pública e posições conservadoras. Em 2018 alcançou a vitória mais expressiva de sua trajetória ao se tornar o senador mais votado da história do estado do Rio de Janeiro, com mais de quatro milhões de votos. Defende bandeiras alinhadas às do pai, como a pena de morte, a redução da maioridade penal e o combate ao que denomina a exploração midiática dos direitos humanos em benefício da criminalidade. Esteve no centro de um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos: a investigação das chamadas "rachadinhas", que apurou supostos desvios de recursos de seu gabinete na Alerj. O caso foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça e posteriormente arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. É casado com a dentista Fernanda Antunes Figueira, com quem tem duas filhas. Em dezembro de 2025, anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026, após receber a indicação do pai, que se encontra preso e inelegível por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.

30/04/1981

Nasceu na cidade de Resende, no estado do Rio de Janeiro, nas dependências da Academia Militar das Agulhas Negras, onde seu pai, na época, servia como militar. Seu nome completo é Flávio Nantes Bolsonaro. É fruto do primeiro casamento de Jair Bolsonaro com Rogéria Nantes Nunes Braga.

Dentro da numeração militar que o ex-presidente costuma utilizar para se referir aos filhos, Flávio é o “01”; Carlos, o “02”; Eduardo, o “03”; e Renan, o “04”.

Formação acadêmica

Cursou o ensino técnico em Eletrônica pela Escola Técnica Rezende Rammel, no Rio de Janeiro. Graduou-se em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Complementou sua formação com uma pós-graduação em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especializações em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e em Empreendedorismo pela Fundação Getúlio Vargas.

2002

Elegeu-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro, pelo Partido Progressista, tornando-se o mais jovem da legislatura. Ingressou na política por intermédio do pai, que já era deputado federal. Durante o primeiro mandato, presidiu a Comissão Permanente de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e a Comissão Permanente de Legislação Constitucional Complementar e Códigos.

2006

Reelegeu-se como deputado estadual com 33.264 votos. Nesse segundo mandato, assumiu a presidência da Comissão Especial de Planejamento Familiar, além de atuar como vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania.

2010

Conquistou seu terceiro mandato consecutivo na Alerj, com 44.089 votos. No mesmo ano, casou-se com Fernanda Antunes Figueira, dentista especializada em ortodontia e ortopedia facial. Do casamento nasceram suas duas filhas: Luiza e Carolina.

É membro da Igreja Batista desde 2010. Declarou publicamente que frequenta a Escola Bíblica Dominical e que procura criar suas filhas com base em princípios cristãos.

2011

Em entrevistas concedidas ao jornal O Estado de S. Paulo, defendeu o período da ditadura militar brasileira, afirmando que naquela época havia mais segurança, saúde e educação de qualidade. Declarou que não houve ditadura, mas sim uma transição para a democracia. As declarações geraram grande repercussão e controvérsia.

2014

Elegeu-se pela quarta vez consecutiva como deputado estadual, agora com uma votação significativamente maior: mais de 160 mil votos, refletindo o crescimento da popularidade do sobrenome Bolsonaro no cenário político fluminense.

2015

Votou a favor da indicação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nomeação que foi amplamente criticada na época. Brazão seria posteriormente acusado de ser o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Nesse período, também se tornou sócio de uma franquia da rede de chocolates Kopenhagen, no Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O estabelecimento, registrado sob a razão social Bolsotini Chocolates e Café, viria a se tornar alvo de investigações do Ministério Público posteriormente.

2016

Lançou-se candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo Partido Social Cristão. Na convenção de lançamento, realizada no Bangu Atlético Clube, contou com a presença do pai e defendeu sua candidatura como um protesto contra o sistema político vigente. Terminou em quarto lugar, com 424.307 votos, que representaram 14% dos votos válidos. Não avançou ao segundo turno, mas obteve mais votos do que vários candidatos de expressão nacional. Na mesma eleição, conseguiu viabilizar a eleição de seu irmão Carlos como o vereador mais votado da cidade.

Em abril desse mesmo ano, protagonizou um episódio violento quando ele e seu segurança, um policial militar, trocaram tiros com dois assaltantes que estavam realizando um roubo na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

2018

Candidatou-se ao Senado Federal pelo Partido Social Liberal e obteve uma vitória avassaladora com 4.380.418 votos, tornando-se o senador mais votado na história do Rio de Janeiro. A campanha foi impulsionada pela popularidade crescente do pai, que concorria simultaneamente à Presidência da República.

Em dezembro, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras havia identificado movimentações atípicas de 1,2 milhão de reais numa conta em nome de Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e ex-chefe de gabinete de Flávio na Alerj. Essa revelação deu início ao caso que ficou conhecido como “rachadinhas” e levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a abrir uma investigação que se estendeu por anos.

2019

Assumiu o mandato de senador e foi eleito terceiro secretário da Mesa Diretora do Senado Federal. No Senado, concentrou sua atuação em comissões ligadas à segurança pública e a pautas conservadoras.

No mesmo ano, exerceu a função de presidente do PSL no estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, deixou a sigla junto com o pai.

2020

O caso das rachadinhas ganhou novos contornos quando o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia formal contra o senador, acusando-o de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a Promotoria, o esquema teria desviado mais de seis milhões de reais por meio de assessores fantasmas durante os mandatos como deputado estadual. Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, teria inclusive realizado depósitos em dinheiro nas contas de Flávio e de sua esposa Fernanda.

As investigações apontaram também que a franquia de chocolates Kopenhagen de propriedade do senador teria sido utilizada como instrumento para dar aparência de legalidade aos recursos supostamente desviados.

O senador sempre negou todas as acusações e declarou que teve suas contas devassadas e sua vida revirada sem que se comprovasse qualquer irregularidade.

2021

O Superior Tribunal de Justiça anulou as decisões judiciais anteriores referentes ao caso das rachadinhas, invalidando as provas obtidas mediante quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. A decisão representou uma virada significativa no processo.

Nesse mesmo período, a franquia da Kopenhagen foi encerrada e devolvida ao grupo detentor da marca, encerrando a atividade comercial que fora alvo das investigações.

Filiou-se ao partido Republicanos e, em seguida, ao Patriota, dando início a uma trajetória de mudanças partidárias que o levaria, no ano seguinte, ao Partido Liberal, o mesmo de seu pai.

2022

Filiou-se definitivamente ao Partido Liberal, alinhando-se formalmente ao projeto político do pai, que disputava a reeleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva.

11/2025

Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a uma pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista. A detenção ocorreu na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e teve enorme repercussão nacional e internacional.

05/12/2025

Anunciou publicamente sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. Segundo declarou em suas redes sociais, a decisão partiu do próprio pai, que durante uma visita na prisão lhe conferiu a missão de dar continuidade ao projeto político da família.

Publicou uma foto beijando a cabeça do pai e classificou Jair Bolsonaro como a maior liderança política e moral do país. A indicação surpreendeu parte do campo político conservador, que apostava no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o candidato natural da direita.

A escolha gerou tensões internas no Partido Liberal e na própria família. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e setores do Centrão manifestaram resistências à candidatura, enquanto os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan se posicionaram em apoio a Flávio.

O senador declarou que sua candidatura era irreversível e se apresentou como uma versão moderada do pai, capaz de dialogar com a centro-direita e o mercado financeiro sem perder a fidelidade ao eleitorado mais engajado da direita.

12/2025

Jair Bolsonaro confirmou a indicação do filho através de uma carta escrita na prisão, antes de ser submetido a uma cirurgia. No documento, declarou que entregava o que havia de mais importante na vida de um pai e manifestou a esperança de que Flávio resgatasse o Brasil com justiça, firmeza e lealdade aos anseios do povo.

Pesquisas iniciais mostraram que Flávio possuía um potencial de voto significativo entre o eleitorado bolsonarista, porém enfrentava índices elevados de rejeição, superiores aos de outros nomes da direita. O cenário para 2026 permanece aberto e sujeito a intensas articulações políticas.

Autor: Editorial. Data: 09/03/2026.