Geraldo Alckmin é um médico, professor universitário e político brasileiro. Considerado um dos protagonistas mais duradouros da vida pública do país, acumula mais de cinco décadas de atuação ininterrupta na política. Discreto, metódico e com fama de pouco carismático, construiu a sua trajetória nos bastidores do poder antes de se tornar a pessoa que mais tempo governou o estado de São Paulo desde a redemocratização. A sua falta de carisma rendeu-lhe o apelido jocoso de "Picolé de Chuchu", mas nem isso impediu que conquistasse vitória atrás de vitória nas urnas paulistas. É um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira, legenda à qual permaneceu fiel durante trinta e três anos, até protagonizar a aliança mais improvável da política brasileira contemporânea: tornar-se vice-presidente da República na chapa do seu antigo rival, Luiz Inácio Lula da Silva. De adversário ferrenho do PT a companheiro de chapa do petista, percorreu um caminho que surpreendeu aliados e desafetos. Formado em Medicina, especializou-se em anestesiologia e acupuntura, e nunca abandonou completamente a profissão, voltando a atender pacientes pelo SUS nos intervalos entre mandatos. Enfrentou o maior drama pessoal da sua vida com a morte trágica do filho mais novo num acidente de helicóptero. Recebeu uma sólida formação católica e a sua proximidade com a Opus Dei foi explorada por adversários em diversas campanhas eleitorais, embora ele sempre tenha negado ser membro da organização.Nasceu na cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Seu nome completo é Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho. É filho de Geraldo José Rodrigues Alckmin, ex-seminarista e entusiasta da Opus Dei, e Míriam Penteado, que faleceu quando ele tinha apenas dez anos, sendo criado a partir de então pelos avós. A família possui tradição na vida pública brasileira: entre os seus parentes estão Rodrigues Alckmin, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal, e José Maria Alkmin, que ocupou a vice-presidência da República durante o governo Castelo Branco.
Ainda no primeiro ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté, e com apenas dezenove anos, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, o partido de oposição ao regime militar. Envolvido com o movimento estudantil católico, candidatou-se e foi eleito o vereador mais votado de Pindamonhangaba. No primeiro mandato, foi escolhido presidente da Câmara Municipal.
Paralelamente à vida política, concluiu o curso de Medicina e especializou-se em Anestesiologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Posteriormente, obteve especialização em Acupuntura no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Universidade de São Paulo. Chegou a chefiar o Departamento de Anestesiologia da Santa Casa de Pindamonhangaba e ministrou aulas na Fundação Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras e no Instituto Santa Tereza, ambos em Lorena.
Derrotou o seu próprio padrinho político, Paulo de Andrade, por uma diferença de apenas sessenta e sete votos e tornou-se prefeito de Pindamonhangaba. Na época era o prefeito mais jovem da história da cidade. Exerceu o mandato por seis anos. A pedido do pai, que atuou como seu chefe de gabinete, nomeou uma rua da cidade em homenagem a Monsenhor José María Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei.
Casou-se com Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz. Lu tornou-se uma presença constante ao seu lado ao longo da carreira política.
Elegeu-se deputado estadual por São Paulo, já sob a bandeira do PMDB, sucessor do MDB após o fim do bipartidarismo imposto pela ditadura.
Foi eleito deputado federal constituinte, com cento e vinte e cinco mil votos, sendo o quarto mais votado de São Paulo pelo PMDB. Participou ativamente da elaboração da Constituição Federal de 1988, atuando na Subcomissão de Saúde, Seguridade e Meio Ambiente, e destacou-se como autor de leis de proteção ao consumidor.
Junto a outras personalidades políticas, fundou o Partido da Social Democracia Brasileira. Permaneceria filiado à legenda por mais de três décadas, tornando-se um dos seus quadros mais relevantes e chegando à presidência nacional do partido.
Elegeu-se vice-governador de São Paulo na chapa encabeçada por Mário Covas. A dupla foi reeleita em 1998 para um segundo mandato. Alckmin assumiu funções estratégicas no governo, como a presidência do Programa Estadual de Desestatização e do Programa de Participação da Iniciativa Privada na Prestação de Serviços Públicos.
Licenciou-se do cargo de vice-governador para concorrer à Prefeitura de São Paulo, mas ficou em terceiro lugar, sem alcançar o segundo turno.
Mário Covas faleceu em decorrência de um câncer na bexiga, e Alckmin assumiu o governo do estado de São Paulo. Deu continuidade às políticas do antecessor, investindo em grandes projetos estatais, programas de saúde e educação, financiados em parte pelo programa de privatizações.
Logo no início do seu governo, protagonizou um episódio que ganhou enorme repercussão: quando Fernando Dutra Pinto, que havia sequestrado Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, invadiu a casa do apresentador e o fez refém, Alckmin foi pessoalmente negociar a libertação do empresário e a rendição do criminoso. A operação foi bem-sucedida.
Reelegeu-se governador de São Paulo com mais de doze milhões de votos, derrotando o petista José Genoíno no segundo turno. A sua gestão foi marcada pela redução da folha de pagamento do estado e pela implementação de Parcerias Público-Privadas.
Renunciou ao governo paulista para disputar a Presidência da República pelo PSDB. No primeiro turno, surpreendeu as pesquisas ao obter quarenta e um por cento dos votos, forçando um segundo turno contra Lula. Perdeu a disputa com trinta e nove por cento dos votos, enquanto Lula foi reeleito com sessenta e um por cento. A campanha foi marcada por ataques mútuos entre os dois candidatos.
Após a derrota, viajou para Cambridge, nos Estados Unidos, onde cursou políticas públicas na Universidade de Harvard durante seis meses.
Voltou a disputar a Prefeitura de São Paulo, mas ficou novamente em terceiro lugar. No período fora dos cargos executivos, retornou à Medicina, atendendo voluntariamente pacientes encaminhados pelo SUS no setor de acupuntura do ambulatório de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo.
Elegeu-se governador de São Paulo pela terceira vez, ainda no primeiro turno, com cinquenta por cento dos votos, derrotando o petista Aloizio Mercadante.
Viveu o maior drama pessoal da sua vida. O filho mais novo, Thomaz, morreu após a queda de um helicóptero sobre uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O acidente deixou outras quatro vítimas. Thomaz era piloto profissional, mas não comandava a aeronave, que realizava o primeiro voo após manutenção. Na época, Alckmin estava no seu quarto mandato como governador.
Reelegeu-se governador em 2014, mas o mandato ficou profundamente marcado pela pior crise hídrica da história do estado de São Paulo. O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de quase nove milhões de pessoas, praticamente secou. O governo foi duramente criticado pela condução da crise. Durante a campanha eleitoral, em setembro de 2014, afirmou enfaticamente num debate televisivo que não faltaria água no estado. Já em janeiro de 2015, após a reeleição, admitiu pela primeira vez que São Paulo vivia o que chamou de “restrição hídrica”. Estudos posteriores concluíram que medidas preventivas poderiam ter evitado grande parte da crise. A Sabesp recorreu ao volume morto dos reservatórios, e milhões de moradores enfrentaram interrupções prolongadas no fornecimento de água.
Disputou a Presidência da República pela segunda vez, agora com a maior coligação partidária da eleição, que lhe garantiu o maior tempo de propaganda na televisão. Apesar disso, ficou em quarto lugar com apenas quatro por cento dos votos, o pior resultado de um candidato do PSDB em eleições presidenciais. Jair Bolsonaro venceu o pleito.
Após trinta e três anos no PSDB, anunciou a sua desfiliação, num gesto que abalou a política brasileira. Filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro em março de 2022 para compor a chapa presidencial com Lula, seu antigo adversário. A aliança, considerada a mais improvável da história recente do país, uniu o centro-direita e a esquerda numa frente ampla com o objetivo de derrotar Bolsonaro nas urnas.
A chapa Lula-Alckmin venceu as eleições no segundo turno com cinquenta por cento dos votos contra quarenta e nove por cento de Bolsonaro, na disputa mais acirrada desde a redemocratização. Ao longo da campanha, Alckmin desempenhou um papel fundamental ao costurar apoios junto ao empresariado e ao agronegócio, setores historicamente refratários ao PT.
Tomou posse como vigésimo sexto vice-presidente da República. Logo em seguida, foi nomeado pelo presidente Lula como Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, acumulando ambas as funções. Lula havia prometido que Alckmin não seria um “vice decorativo”.
O PSB anunciou planos de elegê-lo vice-presidente da legenda no congresso nacional do partido, numa estratégia voltada a mantê-lo como companheiro de chapa de Lula na disputa presidencial de 2026. Na vice-presidência, consolidou-se como um articulador discreto mas eficiente, fortalecendo as relações do governo com o setor empresarial e com organismos internacionais.
Autor: Editorial.