Biografia de Geraldo Alckmin

73 anos. Geraldo Alckmin é um médico, professor universitário e político brasileiro. Considerado um dos protagonistas mais duradouros da vida pública do país, acumula mais de cinco décadas de atuação ininterrupta na política. Discreto, metódico e com fama de pouco carismático, construiu a sua trajetória nos bastidores do poder antes de se tornar a pessoa que mais tempo governou o estado de São Paulo desde a redemocratização. A sua falta de carisma rendeu-lhe o apelido jocoso de "Picolé de Chuchu", mas nem isso impediu que conquistasse vitória atrás de vitória nas urnas paulistas. É um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira, legenda à qual permaneceu fiel durante trinta e três anos, até protagonizar a aliança mais improvável da política brasileira contemporânea: tornar-se vice-presidente da República na chapa do seu antigo rival, Luiz Inácio Lula da Silva. De adversário ferrenho do PT a companheiro de chapa do petista, percorreu um caminho que surpreendeu aliados e desafetos. Formado em Medicina, especializou-se em anestesiologia e acupuntura, e nunca abandonou completamente a profissão, voltando a atender pacientes pelo SUS nos intervalos entre mandatos. Enfrentou o maior drama pessoal da sua vida com a morte trágica do filho mais novo num acidente de helicóptero. Recebeu uma sólida formação católica e a sua proximidade com a Opus Dei foi explorada por adversários em diversas campanhas eleitorais, embora ele sempre tenha negado ser membro da organização.

07/11/1952

Nasceu na cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Seu nome completo é Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho. É filho de Geraldo José Rodrigues Alckmin, ex-seminarista e entusiasta da Opus Dei, e Míriam Penteado, que faleceu quando ele tinha apenas dez anos, sendo criado a partir de então pelos avós. A família possui tradição na vida pública brasileira: entre os seus parentes estão Rodrigues Alckmin, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal, e José Maria Alkmin, que ocupou a vice-presidência da República durante o governo Castelo Branco.

1972

Ainda no primeiro ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté, e com apenas dezenove anos, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, o partido de oposição ao regime militar. Envolvido com o movimento estudantil católico, candidatou-se e foi eleito o vereador mais votado de Pindamonhangaba. No primeiro mandato, foi escolhido presidente da Câmara Municipal.

Paralelamente à vida política, concluiu o curso de Medicina e especializou-se em Anestesiologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Posteriormente, obteve especialização em Acupuntura no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Universidade de São Paulo. Chegou a chefiar o Departamento de Anestesiologia da Santa Casa de Pindamonhangaba e ministrou aulas na Fundação Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras e no Instituto Santa Tereza, ambos em Lorena.

1977

Derrotou o seu próprio padrinho político, Paulo de Andrade, por uma diferença de apenas sessenta e sete votos e tornou-se prefeito de Pindamonhangaba. Na época era o prefeito mais jovem da história da cidade. Exerceu o mandato por seis anos. A pedido do pai, que atuou como seu chefe de gabinete, nomeou uma rua da cidade em homenagem a Monsenhor José María Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei.

1979

Casou-se com Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz. Lu tornou-se uma presença constante ao seu lado ao longo da carreira política.

1982

Elegeu-se deputado estadual por São Paulo, já sob a bandeira do PMDB, sucessor do MDB após o fim do bipartidarismo imposto pela ditadura.

1986

Foi eleito deputado federal constituinte, com cento e vinte e cinco mil votos, sendo o quarto mais votado de São Paulo pelo PMDB. Participou ativamente da elaboração da Constituição Federal de 1988, atuando na Subcomissão de Saúde, Seguridade e Meio Ambiente, e destacou-se como autor de leis de proteção ao consumidor.

1988

Junto a outras personalidades políticas, fundou o Partido da Social Democracia Brasileira. Permaneceria filiado à legenda por mais de três décadas, tornando-se um dos seus quadros mais relevantes e chegando à presidência nacional do partido.

1994

Elegeu-se vice-governador de São Paulo na chapa encabeçada por Mário Covas. A dupla foi reeleita em 1998 para um segundo mandato. Alckmin assumiu funções estratégicas no governo, como a presidência do Programa Estadual de Desestatização e do Programa de Participação da Iniciativa Privada na Prestação de Serviços Públicos.

2000

Licenciou-se do cargo de vice-governador para concorrer à Prefeitura de São Paulo, mas ficou em terceiro lugar, sem alcançar o segundo turno.

03/2001

Mário Covas faleceu em decorrência de um câncer na bexiga, e Alckmin assumiu o governo do estado de São Paulo. Deu continuidade às políticas do antecessor, investindo em grandes projetos estatais, programas de saúde e educação, financiados em parte pelo programa de privatizações.

Logo no início do seu governo, protagonizou um episódio que ganhou enorme repercussão: quando Fernando Dutra Pinto, que havia sequestrado Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, invadiu a casa do apresentador e o fez refém, Alckmin foi pessoalmente negociar a libertação do empresário e a rendição do criminoso. A operação foi bem-sucedida.

2002

Reelegeu-se governador de São Paulo com mais de doze milhões de votos, derrotando o petista José Genoíno no segundo turno. A sua gestão foi marcada pela redução da folha de pagamento do estado e pela implementação de Parcerias Público-Privadas.

2006

Renunciou ao governo paulista para disputar a Presidência da República pelo PSDB. No primeiro turno, surpreendeu as pesquisas ao obter quarenta e um por cento dos votos, forçando um segundo turno contra Lula. Perdeu a disputa com trinta e nove por cento dos votos, enquanto Lula foi reeleito com sessenta e um por cento. A campanha foi marcada por ataques mútuos entre os dois candidatos.

2007

Após a derrota, viajou para Cambridge, nos Estados Unidos, onde cursou políticas públicas na Universidade de Harvard durante seis meses.

2008

Voltou a disputar a Prefeitura de São Paulo, mas ficou novamente em terceiro lugar. No período fora dos cargos executivos, retornou à Medicina, atendendo voluntariamente pacientes encaminhados pelo SUS no setor de acupuntura do ambulatório de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo.

2010

Elegeu-se governador de São Paulo pela terceira vez, ainda no primeiro turno, com cinquenta por cento dos votos, derrotando o petista Aloizio Mercadante.

02/04/2015

Viveu o maior drama pessoal da sua vida. O filho mais novo, Thomaz, morreu após a queda de um helicóptero sobre uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O acidente deixou outras quatro vítimas. Thomaz era piloto profissional, mas não comandava a aeronave, que realizava o primeiro voo após manutenção. Na época, Alckmin estava no seu quarto mandato como governador.

2014 — 2016

Reelegeu-se governador em 2014, mas o mandato ficou profundamente marcado pela pior crise hídrica da história do estado de São Paulo. O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de quase nove milhões de pessoas, praticamente secou. O governo foi duramente criticado pela condução da crise. Durante a campanha eleitoral, em setembro de 2014, afirmou enfaticamente num debate televisivo que não faltaria água no estado. Já em janeiro de 2015, após a reeleição, admitiu pela primeira vez que São Paulo vivia o que chamou de “restrição hídrica”. Estudos posteriores concluíram que medidas preventivas poderiam ter evitado grande parte da crise. A Sabesp recorreu ao volume morto dos reservatórios, e milhões de moradores enfrentaram interrupções prolongadas no fornecimento de água.

2018

Disputou a Presidência da República pela segunda vez, agora com a maior coligação partidária da eleição, que lhe garantiu o maior tempo de propaganda na televisão. Apesar disso, ficou em quarto lugar com apenas quatro por cento dos votos, o pior resultado de um candidato do PSDB em eleições presidenciais. Jair Bolsonaro venceu o pleito.

12/2021

Após trinta e três anos no PSDB, anunciou a sua desfiliação, num gesto que abalou a política brasileira. Filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro em março de 2022 para compor a chapa presidencial com Lula, seu antigo adversário. A aliança, considerada a mais improvável da história recente do país, uniu o centro-direita e a esquerda numa frente ampla com o objetivo de derrotar Bolsonaro nas urnas.

10/2022

A chapa Lula-Alckmin venceu as eleições no segundo turno com cinquenta por cento dos votos contra quarenta e nove por cento de Bolsonaro, na disputa mais acirrada desde a redemocratização. Ao longo da campanha, Alckmin desempenhou um papel fundamental ao costurar apoios junto ao empresariado e ao agronegócio, setores historicamente refratários ao PT.

01/01/2023

Tomou posse como vigésimo sexto vice-presidente da República. Logo em seguida, foi nomeado pelo presidente Lula como Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, acumulando ambas as funções. Lula havia prometido que Alckmin não seria um “vice decorativo”.

2025

O PSB anunciou planos de elegê-lo vice-presidente da legenda no congresso nacional do partido, numa estratégia voltada a mantê-lo como companheiro de chapa de Lula na disputa presidencial de 2026. Na vice-presidência, consolidou-se como um articulador discreto mas eficiente, fortalecendo as relações do governo com o setor empresarial e com organismos internacionais.

Autor: Editorial.