Biografia de Eduardo Bolsonaro

41 anos. Eduardo Bolsonaro é um político, advogado e policial federal brasileiro. Terceiro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidou-se como uma das figuras mais proeminentes do campo conservador no Brasil. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ingressou na Polícia Federal como escrivão antes de se lançar na carreira política. Em 2018, tornou-se o deputado federal mais votado da história do país, com mais de 1,8 milhão de votos pelo estado de São Paulo. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e cultivou uma intensa atuação no cenário internacional, estreitando relações com líderes conservadores de diferentes países, sobretudo nos Estados Unidos. Defendeu pautas ligadas ao armamento civil, ao endurecimento penal, à redução da maioridade penal e ao combate ao que denominou ideologias de esquerda. Viveu nos Estados Unidos durante a juventude, onde aprendeu inglês trabalhando em empregos informais. Casou-se com a psicóloga gaúcha Heloísa Wolf, com quem tem dois filhos. Em 2025, mudou-se para os Estados Unidos alegando perseguição política, e no fim daquele ano teve o mandato parlamentar cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados por acúmulo de faltas injustificadas. É réu no Supremo Tribunal Federal pelo crime de coação, em razão de supostas articulações junto a autoridades norte-americanas para pressionar o julgamento de seu pai, condenado por tentativa de golpe de Estado.

10/07/1984

Nasceu na cidade de Resende, no estado do Rio de Janeiro, dentro das dependências da Academia Militar de Agulhas Negras, onde seu pai servia como militar. É o terceiro filho de Jair Messias Bolsonaro e Rogéria Nantes Nunes Braga, ex-vereadora. Seus irmãos mais velhos são Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, e Carlos, vereador na capital carioca. Cresceu no Rio de Janeiro, onde cursou os estudos básicos nos colégios Batista Brasileiro e Palas.

Desde jovem demonstrou inclinação pelo esporte, especialmente o surfe, e manteve amizade com integrantes da banda carioca Forfun, com quem dividia os fins de semana nas praias do Rio.

A família Bolsonaro possui uma tradição fortemente ligada ao militarismo e à segurança pública, elementos que marcaram profundamente a formação e os valores de Eduardo ao longo de sua trajetória.

2006

Realizou um intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra, em Portugal, como parte de sua graduação em Direito na UFRJ. A experiência no exterior ampliou seu interesse por relações internacionais, área que mais tarde se tornaria central em sua atuação parlamentar.

Antes disso, já havia morado nos Estados Unidos, nos estados do Maine e Colorado, onde trabalhou em empregos informais, incluindo lanchonetes de fast-food, experiência que ele próprio relatou publicamente ao afirmar que aprendeu inglês enquanto trabalhava preparando hambúrgueres.

2009

Graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e inscreveu-se na seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil. No mesmo ano, prestou concurso público para a Polícia Federal, sendo aprovado para o cargo de escrivão.

2010

Iniciou suas atividades como escrivão da Polícia Federal. Seu primeiro posto foi em Guajará-Mirim, cidade de Rondônia localizada na fronteira com a Bolívia, região marcada pelo intenso tráfico de cocaína. Ali exerceu praticamente todas as funções policiais, desde grampos telefônicos até prisões em flagrante.

A estadia na fronteira durou cerca de seis meses. Após ser aprovado em concurso interno de remoção, transferiu-se para São Paulo e passou a atuar no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, considerado um dos maiores pontos de apreensão de cocaína do mundo, transportada por “mulas” do tráfico internacional.

Posteriormente, foi transferido para a sede da Superintendência da Polícia Federal na Lapa, em São Paulo, e depois para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, já no final de 2014.

2014

Incentivado pelo pai, que já era deputado federal, filiou-se ao Partido Social Cristão e candidatou-se a deputado federal pelo estado de São Paulo. Embora inicialmente resistente à ideia de entrar na política, acabou se lançando na disputa e elegeu-se com aproximadamente 82 mil votos, capitalizando em grande medida o capital político do sobrenome paterno.

Com a eleição, encerrou sua breve carreira na Polícia Federal, que havia durado cerca de quatro anos.

2015

Tomou posse como deputado federal na Câmara dos Deputados, em Brasília. Desde o início do mandato, posicionou-se como uma voz firme do conservadorismo, alinhando-se às mesmas bandeiras defendidas por seu pai: combate ao desarmamento, escola sem partido, oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e contrariedade à política de cotas raciais.

No mesmo ano, foi distinguido em primeiro lugar na categoria Combate à Corrupção e ao Crime Organizado do Prêmio Foco 2015, com expressiva votação popular.

Votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016, e posteriormente apoiou a reforma trabalhista e a PEC do Teto de Gastos durante o governo de Michel Temer.

2016

Conheceu a psicóloga gaúcha Heloísa Viegas Brenner Wolf durante uma viagem a Santa Catarina, no réveillon. Natural de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, Heloísa é formada em Psicologia e atua como coach de vida. O casal iniciou um relacionamento que rapidamente se consolidou.

Em 2016, Eduardo foi rebatizado junto com o pai e seus irmãos Flávio e Carlos no Rio Jordão, em Israel, por um pastor pentecostal. O gesto, embora não tenha representado uma conversão formal ao evangelismo, sinalizou a proximidade da família com o segmento evangélico, que se tornaria uma base eleitoral fundamental para os Bolsonaro.

2018

Ficou noivo de Heloísa Wolf durante um evento conservador realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Na esfera política, reelegeu-se deputado federal pelo Partido Social Liberal com a extraordinária marca de 1.843.735 votos, consagrando-se como o parlamentar mais votado da história do Brasil. A votação recorde foi impulsionada pela onda de popularidade de seu pai, que naquele mesmo ano elegeu-se presidente da República.

No segundo mandato, assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, posição que utilizou para intensificar sua atuação internacional. Acompanhou o pai em diversas viagens oficiais, incluindo o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e reuniões do G-20, no Japão, além de encontros com o então presidente norte-americano Donald Trump, em Washington.

25/05/2019

Casou-se com Heloísa Wolf em uma cerimônia íntima, com cerca de 150 convidados, realizada na Casa de Santa Teresa, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, com uma vista privilegiada para o Pão de Açúcar e o Corcovado. A celebração contou com a presença do pai, então presidente da República, e da madrasta Michelle Bolsonaro.

Ainda em 2019, seu nome foi ventilado pelo próprio pai para assumir o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, gerando intensa polêmica pelo fato de não possuir carreira diplomática. A indicação foi amplamente criticada por parlamentares de diferentes espectros políticos, e Eduardo acabou desistindo da nomeação em outubro, após ser confirmado como líder do PSL na Câmara. O governo então indicou o diplomata de carreira Nestor Forster para o posto.

10/2019

Provocou uma grave controvérsia ao sugerir, em entrevista a um canal no YouTube, a possibilidade de se editar um “novo AI-5” caso houvesse uma radicalização da esquerda no Brasil. O Ato Institucional nº 5, editado em 1968 durante a ditadura militar, representou o período mais repressivo do regime, com dissolução do Congresso Nacional, suspensão de garantias constitucionais, censura e perseguição política.

A declaração gerou reações negativas de todos os setores do espectro político, incluindo aliados. A oposição anunciou a abertura de um pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Após ser repreendido pelo próprio pai, Eduardo alegou ter sido mal interpretado e pediu desculpas publicamente.

10/10/2020

Nasceu Geórgia Wolf Bolsonaro, primeira filha do casal. A menina veio ao mundo por parto natural, com saúde, pesando 2,77 kg e medindo 46 cm. Eduardo compartilhou a novidade em suas redes sociais, definindo o momento como o mais feliz de sua vida. Antes de Geórgia, Heloísa havia sofrido um aborto espontâneo na nona semana de gestação, em 2019.

2021

Assinou a Carta de Madri, documento redigido pelo partido conservador espanhol Vox, que classificou grupos de esquerda como inimigos da Ibero-América envolvidos em um projeto criminoso sob a tutela do regime cubano. Subscreveram o documento também figuras como Javier Milei, da Argentina, José Antonio Kast, do Chile, Rafael López Aliaga, do Peru, e Giorgia Meloni, da Itália. A adesão consolidou a imagem de Eduardo como um articulador do conservadorismo em nível internacional.

2022

Desligou-se do PSL e filiou-se ao Partido Liberal, acompanhando o movimento do pai e de boa parte da base bolsonarista. Nas eleições daquele ano, reelegeu-se deputado federal por São Paulo, desta vez com cerca de 741 mil votos, uma queda significativa em relação ao pleito anterior, mas ainda assim uma votação expressiva que lhe garantiu o terceiro mandato consecutivo.

No mesmo ano, publicou o livro O Fenômeno Ignorado, em coautoria com Mateus Colombo Mendes, pela editora Vide Editorial. A obra narra a trajetória política de Jair Bolsonaro desde os tempos de militar até a presidência, incluindo bastidores da campanha de 2018 e o episódio da facada sofrida pelo pai durante um ato de campanha em Juiz de Fora.

Nasceu seu segundo filho com Heloísa: Jair Henrique Wolf Bolsonaro, homenagem ao avô paterno.

01/2023

O Brasil foi sacudido pelos atos de 8 de janeiro, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Embora Eduardo não tenha participado diretamente dos atos, o episódio deflagrou uma série de investigações que envolveram a família Bolsonaro e aliados próximos, desencadeando consequências políticas e jurídicas que se estenderiam pelos anos seguintes.

03/2025

Solicitou licença do mandato parlamentar por 120 dias e mudou-se para os Estados Unidos com a esposa e os filhos, alegando perseguição política por parte do poder Judiciário brasileiro. A decisão foi tomada no contexto do julgamento de seu pai pelo Supremo Tribunal Federal, no âmbito do inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Dos Estados Unidos, articulou junto a autoridades e congressistas norte-americanos, incluindo figuras ligadas ao governo de Donald Trump, pressões e sanções contra membros do Judiciário brasileiro, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

09/2025

A Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo ao Supremo Tribunal Federal pelo crime de coação, em razão de suas articulações junto a autoridades estadunidenses para pressionar o julgamento que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado. A denúncia apontou que as ações de Eduardo extrapolaram os limites da liberdade de expressão parlamentar e configuraram uma tentativa de intimidação institucional contra o Judiciário brasileiro.

Na mesma época, seu pai Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na trama golpista, sendo posteriormente preso após tentar violar as condições de sua detenção domiciliar.

18/12/2025

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Motta, declarou a perda de seu mandato parlamentar. A decisão fundamentou-se no acúmulo de 59 faltas não justificadas a sessões deliberativas do plenário, configurando ausência superior a um terço das sessões, hipótese prevista no artigo 55 da Constituição Federal.

Eduardo criticou a medida por meio de suas redes sociais, alegando que a cassação desrespeitava os mais de 700 mil eleitores que o haviam escolhido e que sua permanência fora do Brasil se devia à impossibilidade de retornar. Afirmou que continuava exercendo o que chamou de diplomacia legislativa desde o exterior.

A decisão não contou com a anuência de todos os membros titulares da Mesa Diretora, tendo alguns deles sido substituídos por suplentes para viabilizar a deliberação, fato que gerou críticas do Partido Liberal e de aliados do bolsonarismo.

Autor: Editorial. Data: 16/03/2026.